segunda-feira, 28 de junho de 2010

Décimo Primeiro Dia de Viagem

Acordamos às 5 da manhã, preparados para os 3 dias de caminhada no Vale do Pati, pelo despertador Alvorada, vulgo foguetório de São João. Esta á uma tradição da cidade de Mucugê que, durante o mês de junho nas festas de Santo Antonio e São João, ocorre a tal Alvorada, que é o despertar por bombas e foguetes às 5:00 da manhã para a saída da filarmônica que percorre a cidade, convidando o povo todo para um café-da-manhã típico na Igreja Matriz. Não participamos nenhum dia, por preguiça de levantar da cama. Bem, Junior foi o primeiro a sair do quarto e se deparou com um tempo feíssimo, chovendo, fechado. Ana e Junior – Mari ainda estava na cama – decidiram que não iríamos mais no Vale do Pati pois caminhada no mato com chuva não é lazer, é exercício militar (coisas de Lívia). Ainda tinha outro fator que se coloca contra nossa ida, já falado, era falta de hospedagem por causa das festas de São João. Descobrimos que quarta-feira, dia 23 de junho, é feriado na Bahia, prologando-se, em alguns lugares, até quinta e sexta – um carnaval junino. Desempolgados, resolvemos fazer outro passeio: o Buracão.
Buracão: cachoeira de 70 metros localizada perto do município de Ibicoara, no sul da Chapada. Fomos para Ibicoara, já que é quase impossível ir sem guia pela primeira vez, pois não tem sinalização nenhuma no caminho para o Buracão. Passamos na Associação de Guias Bicho do Mato, contratamos uma guia por 75 reais: a Oze, que se chama Oziene, e que Ana a chamou o dia inteiro de Zô. Lá fomos nós quatro para a cachoeira. Uma hora em estrada de chão ruim de carro, pagando 3 reais por pessoa. Lá dentro, são 3 km de ida, e 3 de volta. As trilhas, no início são de nível fácil, mas depois ficam difíceis. Temos que descer e subir pedras e ultrapassar obstáculos. Passamos pelo Rio Espalhado, que acompanha quase todo o caminho, pela cachoeira Orquídea da Serra – que se diz o melhor banho da região, pela cachoeira Recanto Verde – que não pode tomar banho, em vista à preservação. Finalmente chegamos em um cânion, a partir temos duas opções de caminho: pela água ou escalando as paredes de pedra. Optamos pela água. Podíamos pular – 4 metros - ou descer pela quedinha d'água. Junior logo deu um mergulho de Tarzan, achando-se estiloso. Quando caiu na água, ficou pálido de frio. Ana ficou se decidindo, com medo de pular. Acabou desistindo, mas Mari incentivada por Junior, pulou e gritou. Ana, que não queria ser a única a não pular, acabou se rendendo. A água é muito gelada e tem cor de coca-cola. A guia nos jogou os coletes salva-vidas, e seguimos pelo corredor de água com paredes imensas de pedra sedimentada. Chegamos, enfim, ao cenário Senhor dos Anéis que queríamos ver. Entendendo o nome Buracão, a cachoeira fica em um buraco enorme cercado de paredões enormes de pedras por todos os lados. A cachoeira, apesar de não estar em sua melhor forma pelo período da estiagem, é linda, maravilhosa, inigualável. Fomos até debaixo dela, onde recebemos um super jato de água constante. Até que Mari e Ana sentiram-se afogadas pela constância da água muito forte na cara e todos resolveram pular. Junior pulou primeiro, Mari pulou desengonçadamente, porque escorregou da pedra na hora de pular e Ana ficou apavorada. Oze ensinou à ela como se pula certo: na pontinha da pedra, com os dedos dobrados. Todos em água, fomos abraçados e batendo os pés, pensando sobre Senhor dos Anéis (Junior Boromir que se diz Aragorn, Mamãe que se diz Arwen - que não é aventureira fica só meditando entre as árvores - Mari hobbit – apesar dela não concordar pelos pés peludos - e Oze guia Smeagol.) Tomamos sol nas pedras, aproveitando o cenário e depois voltamos pelo caminho das paredes de pedras. Lá chegando, fizemos a nossa refeição. Ana comeu as lembas (como apelidamos as famosas bolachas de arroz isopor Name) e ofereceu à Oze, que até gostou – ou estava sendo educada. Voltamos. Mas a volta não ocorreu sem emoções... Ana, que estava com seu tênis de corrida urbana, não com sua bota trekking aventureira presentada por Junior e de mochila, caiu e torceu o pé direito. Foi um Deus-nos-acuda. Oze fez uma massagem e imobilizou o pé de Ana com ataduras. Sem antes Junior dizer: a viagem acabou aqui. Não acabou. Continuamos com Ana, que não se deixa abater, porém meio manca. Chegamos até o carro, vimos o banheiro seco, e Mari até bateu a cabeça no trinco. Banheiro seco: tecnologia ecologicamente correta sem desperdício de água em que a descarga é uma concha de serragem e uma de cal para virar adubo depois. Na volta, paramos em um mirante para ver o Campo Redondo. Neste lugar, segundo Oze, moram ufólogos que estudam os ets naquela região. Oze diz que nunca viu nada, mas que o povo diz ver. Nós vimos os círculos no solo – em que não cresce outra vegetação – no caminho de Ibicoara para Mucugê. Para subir no mirante, Junior empurrou Mari para subir na pedra, e esta bateu o joelho, ralando-o. Machucados e cansados, voltamos para Mucugê.
Mucugê noite: comemos uma pizza na Mama, que é ucraniana, e faz uma pizza deliciosa – fininha e crocante. Ana e Junior foram ao hospital de Mucugê, demoraram para o encontrar numa cidade de 4 mil habitantes. Fomos recebidos pelo Dr. Marcelo que examinou o pé de Ana e prescreveu uma injeção anti-inflamatória extremamente doída. Ana saiu reclamando de muita dor com o pé inchado. Fomos para a pousada, descansar para seguir viagem no dia seguinte em direção ao norte da Chapada.

oze, mãe e jr na trilha

querendo voar no rio espalhado


rio espalhado


Boromir

cachoeira do Buracão


Ana pulando



buracão visto de cima



Décimo Dia de Viagem

Acordamos e tomamos um super café-da-manhã na pousada Recanto da Chapada. Logo Tony foi nos ensinar como chegar no Poço Azul, um dos filés dessa região da Chapada. Pegamos o carro e seguimos na direção nordeste, nos orientando pelo mapa de Roberto, pelo GPS e pelas pessoas, que estavam geralmente tocando gado. Paramos antes do rio Paraguaçu, que nesta época do ano fica bem seco, dando para atravessá-lo a pé. Mais a frente, achamos a guarita e pagamos a taxa de 10 reias por pessoa. Apesar de salgada, descobrimos como vale a pena. Lá dentro, deve-se tomar uma ducha antes. Seguimos com um guia descendo para dentro da gruta, num caminho não tão fácil, mas bem facilitado.
Poço Azul: chegamos por volta de 10 da manhã. O lugar é inenarrável... lindo, indescritível! É uma gruta com corpo hídrico (um lago, esta linguagem vem do Junior) que tem uma vazão de 9 m³/s, porém muito parada, formando um espelho perfeito. Há uma entrada de luz em cima da gruta que tem a forma da Bahia ou do Brasil sem o Rio Grande do Sul. Agora, o melhor é quando, por cerca de 12:30 – somente no período de abril a setembro – bate um raio de luz e forma-se um feixe de luz azul impressionante. Nesta hora, o melhor é ninguém estar nadando, para que a água fique precisamente parada, desenhando formas no fundo. Após as fotos, pode-se flutuar com colete salva-vidas, máscara de mergulho e snoker – tudo fornecido pelo guia local, sem custo adicional. A profundidade é de 24 metros com total visibilidade do fundo, onde há formações rochosas e troncos caídos. É... maravilhoso. Nesse momento, estávamos nós e três colombianos. O guia local que estava lá, Juracir 20 e poucos anos, é muito competente, atencioso e gozador. Apelidou Junior de “o homem que não boiava”, o chamava de Doutor e corinthiano (por ele ter achado que era paulista). Chamava de Ana “a mulher que boiava demais”, porque era levada com facilidade de água, ele não conseguia tirar foto dela. Só Mari que era a “garotinha” estável, aliás, ele perguntou se ela sabia nadar, achando que ela era uma criança.
Foi ótimo.
Vimos o jogo do Brasil em Mucugê, o primeiro tempo almoçando numa churrascaria e o segundo tempo na Pousada. Que foi muito animado, menos para Junior que dormiu. No primeiro jogo, ele também dormiu e roncou lá em Januária – e todo mundo gritou GOL! sem ter gol para acordá-lo no susto.
De noite, conversamos com o guia Antonio, empolgados em fazer a travessia do Vale do Pati de Guiné a Andaraí. Diz ser esta a Santiago tupiniquim, com 3 dias de caminhada, passando por cenários tipo Senhor dos Anéis, a 6 horas de qualquer civilização – apenas tem os pontos de apoio, em casas da comunidade, que dão cama e comida típica. O único problema era aonde ficaríamos no retorno da caminhada, já que Mucugê estaria toda lotada a partir do dia 23 para a Festa de São João.
Comemos pizza na Pizzaria da Garagem, cujo os donos são jovens italianos - e a pizza é ótima. Voltamos para a pousada, arrumamos as mochilas e equipamentos e dormimos.
esta foto é o máximo: vire-a ao contrário no seu computador e... tcharam... igualzinho!
brésil?
:]
junior: o homem que não sabe boiar
Mari: o equilíbrio! haha
 Ana: a mulher que boia facilmente
era pra ser uma estrela...
12:30
cachoeira de luz
na luz azul







sábado, 26 de junho de 2010

Nono Dia de Viagem

Acordamos, tomamos café-da-manhã na pousada Flamboyant e fomos nos despedir de Rio de Contas. Passamos no Pouso dos Creolous, para nos despedir de Fernando, Sayonara e Ana Amélia. Levamos pimenta, sabonetes, pilãozinho e camiseta (souvenir pra dar e vender!). Fomos até a feira livre da cidade, que não é lá essas coisas – não se compara com o mercado de Januária. Levamos só um buquê de Sempre-vivas, que são florzinhas que nunca morrem.
Partida: saímos às 11 horas da manhã, em direção a Ibicoara pela trilha do Paiol, indicada por Fernando.
Trilha (mesmo!) do Paiol: trilha indicada somente para carros 4x4, com o pequeno porém de que nosso carro não é. Assim, pela trilha de pedra, terra, subidas difíceis, curvas acentuadas, o motorista Junior teve que rebolar muito para vencer os obstáculos. Chega-se à comunidade do Paiol, que é pequeníssima, com poucas casas e nenhum bar. Apesar disso, é bonitinha, toda arrumadinha com suas cerquinhas de pedra. Pelo caminho encontramos dois figuras sertanejas: o senhor Baiano e o senhor João Batista. Este último ficou desconfiadíssimo quando pedimos para tirar uma foto, Junior foi ao lado dele e acenou com a mão direita, o homenzinho, vendo isso e perdido com o momento, imitou ele, timidamente. Antes de irmos, Ana disse à ele que a foto para a internet. Rimos muito, e ele ficou na mesma. Apesar dos pesares, a vista é deslumbrante, com altitude média de 1500m – o ponto mais alto que subimos até agora na Chapada.
Ibicoara: depois de muito esforço, chegamos à Ibicoara às 14 horas e almoçamos no KIMASSA. O almoço foi tipo um PF para 3 pessoas com arroz, macarrão, aipim, feijão com farofa de copiaba e um contra-filé que foi vendido como picanha. Tentamos procurar uma pousada para ficar na cidade, já que é próxima da cachoeira do Buracão e da Fumacinha. Mas... não deu certo. Não existe um lugar decente para ficar no local - a cidade não tem infra-estrutura para o turismo. Fomos conhecer a Ecopousada do Buracão, que de ecológica não tem nada... a pousada é da prefeita, e é um horror. Por falta de opção e indignados, seguimos em direção à Mucugê.
Mucugê: cidade central geograficamente do Parque Nacional da Chapada Diamantina... é bonitinha, conservada em estilo colonial – embora Rio das Contas ainda seja mais bonita, na nossa opinião. A cidade estava toda enfeitada para a Festa de São João, cheia de bandeirinhas, enfeites de garrafa pet e panos coloridos imitando cortinas nas janelas das casas. Ligamos para todas as pousadas que constavam no nosso guia, e fomos visitar a Recanto da Chapada, que apesar de não ser a mais barata, o dono foi o mais simpático. Chegando lá, fomos muito bem recebidos por Tony, baiano de Salvador, que tem a pousada há 6 anos e que adora fazer ecoturismo. Ficamos lá. De noite, paramos em uma loja chamada Trilhos e Caminhos e lá conversamos com Roberto Sapucaia. Ciclista profissional, com 61 anos de idade, ele que faz todos os mapas de cicloturismo da Chapada, além de ser fotografo da região, escritor sobre cicloturismo e gente muito boa. Compramos o mapa mais atualizado da Chapada, com distâncias, curvas de níveis, trilhas e os pontos a serem visitadas. Ana comprou sabonetes do Capão, naturalíssimos. Também tomamos café no Café.com do Renato, de Salvador também, e recomendamos o chocolate quente e o bolo de milho de lá. No dia anterior, Mari tinha lido o livro Abril Despedaçado (do filme) que além de terem filmado em Rio das Contas, também em Mucugê. E lá constava um relato da existência de uma maca que levava os bêbados que caiam na praça de Mucugê. Mari achou que não existia mais a tal maca, mas chegando lá... demos de cara com uma maca verde em forma de caixão com frases engraçadíssimas. Confirmamos com Renato se era mesmo para levar os bêbados desmaiados, e ele confirmou, haha. Vide as fotos. Dormimos para aproveitar o dia seguinte melhor.






barragem

 sertão

 seu Bahia

 sertanejo desconfiado

 vista do Paiol

 hahahaha

 maca pra levar os bêbados

 Junior em mucugê, com enfeites de pets

domingo, 20 de junho de 2010

Oitavo Dia de Viagem

Rio das Contas (cachoeira do Fraga): acordamos, tomamos café da manhã na Pousada Flamboyant, aproveitando as tapiocas - lembrando que Ana ama comidas típicas. Seguimos para o Pouso dos Creoulos, conhecemos Fernando. Ele nos deu instruções para conhecer a Cachoeira do Fraga. Compramos pimenta (do Junior!!), chapéu, sabonete, guia da Chapada. Seguimos a pé para a cachoeira. Resolvemos ir pelo caminho da barragem, que era mais curto, porém mais difícil, cheio de pedras, riachos e matos. Depois de 3 km, chegamos e aproveitamos a cachoeira, tirando fotos da sua queda média (a maior não dava para tirar foto, pois estavamos em cima dela), que é muito extensa e bonita. Mas só nadamos lá em cima, onde tem umas quedinhas, pois achamos que a cachoeira maior era perigosa por causa da correnteza. Nadamos e depois nos informamos com o rapaz que trabalha no bar de lá sobre a Estrada Real. Resolvemos encarar o desafio de 6km de descida.
Estrada Real: Estrada que foi construída pelos escravos, a mando da Coroa portuguesa. É uma trilha apertada - só passa pedestre - cheia de mato, riachinhos e praticamente de pedra (não, não pedras perfeitamente colocadas! haha). Dica de Mari: só no fim da estrada fui descobrir um método de andar rápido naquela trilha, já que estava sempre bem atrás. Como tenho as pernas mais curtas da família, explico para aqueles que sofrem do mesmo mal: não pensa-se em andar pelas pedras, e sim em saltar. Não se deve ter medo, apenas o necessário para não cair, e para ajudar é bom ter um apoio (no nosso caso, um galho de uma árvore encontrado no caminho) que dá uma sensação de segurança, apesar de não tão confiável. Assim, deve-se abrir as pernas ao máximo, pisando nas maiores pedras. Pronto! Depois de toda essa caminhada difícil e técnica, chegamos a uma bifurcação em uma estrada de terra. Sem nenhuma placa, seguimos para a esquerda e demos na Rodovia que liga Rio das Contas e Livramento de Nossa Senhora. Vimos a cachoeira do rio Brumado de longe, só mais tarde descobrimos que deveríamos ter virado à direita para chegar lá. São 4 quedas de 70 metros. Mas já era 4 e meia da tarde, e aqui na Bahia escurece cedo. Tentamos pedir carona, andando muito cansados para Rio das Contas, pela rodovia. Depois que uma mulher passou sozinha e nem olhou para a gente, desistimos. Chegando finalmente em Livramento, andando MAIS cerca de 6km, ficamos sabendo que a rodoviária (para pegar onibus para Rio das Contas) ficava a 4 km - e advinha, a cidade nem tem ônibus circular! Então Júnior pegou um Mototáxi para pegarmos Mari e Ana em Livramento com o carro depois. As histórias agora se separam, as duas engraçadas.
Mari e Ana: não achamos padaria, tudo muito longe. Conversamos com um velhinho que disse para ficarmos pra São João. Aqui na Bahia, a festa de São João é mais tradicional, as pessoas acendem fogueira em frente de casa, as cidades se enchem de bandeirinhas - esse ano, quase todoas verdes e amarelas -, decorações caipiras e de gente de todo lugar. Paramos mesmo num boteco de esquina, chamado Primeiro Gole. Pérola de Ana: no BOTECO... primeiro perguntou se tinha suco. Ele disse que não. Perguntou se tinha coca zero. Não. Qualquer coisa light? Não, só H2OH, senhora. Hum... H2OH não quero. E água com gás? Não, também senhora. Só temos cerveja e coca. Mari diz: me vê uma coca. Ana diz: me vê uma água também. E ainda, não satisfeita, depois: e Mate Couro tem? Que é isso, dona? Ana ri. Mate Couro a gente tomou em Januária. Ela explica: é um refri desses meio populares, tipo Tubaína, mas é feito de ervas. Mari não se aguenta de riso mais. Ele pergunta: cê é de São Paulo? A gente ri. Mari diz: mãe, você tá num buteco chamado Primeiro Gole! Ela responde: eu acho que a Bahia é um monte de lugar com sucos típicos, iguarias... Rimos muito. Aventura de Junior: pegou Moto Táxi com um cara meio chapado com uma moto furreca. Começou a subir a serra, em momentos que era mais rápido ir a pé do que com a moto. Cada navalhada que ele dava, ele tinha uma explicação sem lógica. Parou no meio da estrada, Junior morrendo de pressa, e ele diz "cê viu que roubaram a cabeça de índio?" e começou a explicar sobre Zafir. Zafir é um cara que vê coisas que ninguém vê, por isso pinta o que vê, inclusive a cabeça do índio. O cara do moto táxi estava indiginado, dizendo que era patrimônio cultural. Junior adiantou o cara, para vir nos buscarmos.
Finalmente chegamos em casa. Tomamos banho e fomos no Pouso dos Creoulos.
Igreja de Sant'Ana: igreja toda de pedra, pedra sobre pedra literalmente. Linda. Fernando nos abriu ela. A igreja não funciona mais regurlamente, só com reservas, mas vale a pena conferir. 
Mari ainda pegou o livro de Abril Despedaçado, já que Rio das Contas foi uma das cidades que participou da filmagem, e Fernando ajudou muito na produção, ganhando o livro depois. (Agradeço muito o livro que engoli de noite e de manhã, mesmo cansada.)

cachoeira do Fraga
 Estrada Real
 paisagem da Estrada
fim da Estrada Real, finalmente!!
igreja de Sant'Ana
pimentas do Fernando (Junior as ama, haha)


sábado, 19 de junho de 2010

Sétimo Dia de Viagem

Partida: saímos às 7:30 da manhã depois de um último café da manhã na casa Gilvam e Patricia. Aliás, gostaríamos de agradecer muito pela hospitalidade e pelo carinho da família que tão bem nos receberam. Ganhamos (5 litros) cachaça especial de Gilvam e seguimos para Itacarambi. Lá pegamos a balsa Maria da Cruz/ Pirapora - MG no Velho Chico às 9:10. Quase não chegamos a tempo, tendo que correr numa estrada de terra esburacada e sem sinalização, como se fosse um rally.
Dados: destino da balsa: Mocambinho. preço: 15 reais/carro.
 Junior diz "to parecendo um artista aqui"
travessia no Velho Chico

Chegamos em Jaíba e paramos no Centro Automotivo para chegar os pneus e desamassar o peito de aço. Fomos muito bem atendidos por Junior (não o nosso, claro). Consta e-mail e telefone nos Dados deste post. Passamos pelo maior Projeto de Irrigação do Brasil. Seguimos até a cidade de Monte Azul, nome da nossa antiga rua, e almoçamos por lá. Ana assumiu o volante pela primeira vez na viagem e pegou a pior parte (divisa MG-BA) cheia de caminhões. Junior ficava a todo momento "aconselhando" (conselhos do tipo "SOCA O PÉ, ANA CRISTINA!!!"), e assim foi, com Mari rindo muito dos dois. Procuramos sorveteria em Pindaí, já na Bahia, que é mais uma pindaíba, porque nem sorveteria tem. Passamos por Caetité  e paramos em Ibiassucê para tomar sorvete. O sorvete era 0,60 centavos a bola, por issso Junior se empolgou e pegou 6 bolas de sorvete (que tinham os sabores milho verde, leite condensado, tutti fruti e coco). O problema é que o sorvete era péssimo... que aumentou a dor de barriga de Junior que só foi aliviada ao chegar no destino final, por causa dos péssimos banheiros pelo caminho. Passamos por Brumado, onde tinha extração de Magnesita e chegamos, depois de 700km, em Rio das Contas - que é a porta Sul principal da CHAPADA DIAMANTINA.
Rio das Contas: logo que chegamos, achamos a cidade uma graça, mais bonita que muitas cidades históricas mineiras. Tem as avenidas mais largas e um conjunto arquitetônico muito bem preservado. Antes, era um quilombo que se chamava Pouso dos Crioulos, porque quandos os bandeirantes chegaram à região encontravaram aqui negros e índios. A cidade viveu da extração do ouro no século XVIII e, como tantas outras, caiu em decadência. Por isso, foi preservada até virar patrimônio histórico e natural em 1958. Tem cerca de 4 mil habitantes. Sua economia hoje se baseia no artesanato e no turismo. As comunidades em volta são a base de agricultura, que são dois quilombos na parte de baixo, e uma comunidade portuguesa na parte de cima da serra. A serra tem um dos picos mais altos do nordeste, o Pico das Almas, que dizem ter uma paisagem muito bonita - porém não o visitamos. A cidade, mesmo, já tem 1200 m de altitude.
Dados: Centro Automotivo (38) 3833-2223 pneuseservicos24horas@hotmail.com
Agradecimentos: todas essas informações nos foram dadas pelo Fernando Pinto, que tem uma loja e faz ecoturismo, o Pouso dos Creoullos e que trabalha na secretaria da cultura. Só o encontramos, na verdade, no dia seguinte. Graças a ele, também pudermos conhecer a igreja de Sant'Ana. Somos muito gratos por toda a atenção e o carinho que ele nos deu. E-mail para contato pousodoscreoulos@gmail.com; site nos Links.
Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento
Prefeitura ao fundo
Ana adora bandeirinhas HAHA

Sexto Dia de Viagem

Aprendizado do dia: nem todos os dias serão bons.
"Parque Nacional Cavernas do Peruaçu": Ainda em Januária, estávamos empolgados para ver o Parque Nacional Cavernas de Peruaçu. Saímos de manhãzinha até o povoado de Fabião I, onde ficava a sede do Ibama. Encontramos o guia Joaquim,  e fomos com o nosso carro pra dentro do Parque. Vimos dois mocózinhos (vide foto), e um até pousou pra câmera! Paramos em um certo ponto, e descemos para ver a Gruta dos Macacos, e uma estalactite apelidada de Perna de Bailariana.
 perna da bailarina
mocó

Infelizmente, só podemos dizer isso do Parque. Isso porque não pudemos ver nada, nenhuma gruta, nenhuma pintura rupestre (feita pelos índios). O guia dizia não estar autorizado a nos mostrar o resto, por isso inventou um roteiro absurdo: ver o rio Peruaçu degradado pelas queimadas de Buritis na comunidade de Vargem Grande, as consequências do terromoto que teve a primeira vítima no Brasil e um mirante com abelhas. Que guia é esse???? Não andamos nada a pé e achamos que o carro estava riscado pela vegetação do Carrasco (galhos espinhosos e secos entrelaçados que os pesquisadores dizem que forma uma barreira natural que protege a Mata Atlantica). No final, o carro foi lavado, e não sobrou nenhum risco pra contar a história. Na volta, em Fabião I, compramos um ótimo doce de leite com coco em barra, indicado pela Patrícia. 
Voltamos para Januária, e paramos no mercado. Compramos uma gamela de madeira, pimenta e cascas de Buriti - que Ana comprou achando ser bom, um enorme saco. Ao experimentarmos a iguaria, vimos que era horrível - salgado e esquisito. Aí, fomos lá trocar por um doce de Buriti - forte e estranho - que deixamos na casa de Patrícia, que por sinal também não gosta. Sem buriti mais... hahaha. Jantamos na casa de Patricia e Gilvam canjiquinha, que estava uma delícia, com cachaça boa e batida de maracujá deliciosa feita por Gilvam. Dormimos. Amanhã, partiremos cedo.

Ana comprando buritis
Mari, Ana, Patricia, Gilvam, Isabela, Heitor - Artur não quis sair na foto
 BASTIDORES DO BLOG!! haha





terça-feira, 15 de junho de 2010

Quinto Dia de Viagem

Manhã: Acordamos, tomamos café da manhã e seguimos para o passeio de barco pelo rio São Francisco. Antes, passamos pelo verdadeiro mercado: barracas que vendem todo tipo de coisa - carne pendurada, mel, todo tipo de pimenta, farinha, todo tipo de erva, raiz, artesanato, tudo que se imagina! Quando estávamos saindo, vimos os cachorros comendo a carcaça do boi, Patricia nos contou que os vendedores matam o boi, salgam a carne, penduram e jogam os restos pros cachorros - inacreditável! Como Junior estava com o chimarrão, Ana ouviu um cara dizer "lá vai o Garunho com o seu chimarrão!" Rimos muito. Chegamos na casa do Marujo (quem levaria a gente de barco), porém ele tinha saído - depois descobrimos que ele que tinha chamado Junior de "Garucho". Esperamos ainda uma hora até Diego levar a gente de barco para conhecer o Velho Chico.
São Francisco: rio grande, muito bonito; porém com algumas pets jogadas - que viemos recolhendo - mas nada que se compare a um Tietê da vida. Aliás, a água parece ser bem limpa, e Diego, nosso guia, que também faz análise da água do rio, disse-nos que ela está potável e limpa. Passamos pela Ilha do Rodeador, onde Diego nos contou que exisitiu uma resistência dos negros com os índios que fugiram da escravidão e formaram um Quilombo naquela ilha. Ainda hoje, os quilombolas ocupam a região. Em uma das ilhas, existe uma casa de pau-à-pique com um telhado verde de pé de maracujá natural. Esta ilha, como a maioria das que lá existem, fica submersa durante a época das cheias. Paramos em uma praia e Mari e Ana tomaram um "banho", molhando só as pernas, na verdade. Júnior nos assustou pois nos lembrou que as cidades dos arredores, como Januária, jogam esgoto no rio. Tem muitos pássaros por ali - mergulhões, gaviões, patos, garças e outros - que não sabemos o nome. Vimos uma tartaruga preguiçosa tomando sol, mas ao ver nosso barco se aproximar, logo mergulhou. Muitos pescadores também. Diz-se que em Julho será a época de praia, em que os bancos de areia viram verdadeiras praias, com barracas de comida e tudo o mais, e toda a gente vem se banhar. Dá dó de ver o assoreamento do rio, tudo causado pelo não-respeito da lei que garante 30 metros de mata ciliar. Depois que voltamos, tomamos uma cerveja com os habitantes da região: Diego, Marujo, Chiquinho, Toninho - que contaram diversas histórias e nos alertaram sobre a falta de respeito com o rio Bahia acima.
Velho Chico
casa naturalmente ecológica
pato levantando vôo da água
Mari, Diego e Ana
"se ocê é mineiro, devia andar com um queijin, não com um chimarrão"
Toninho, Chiquinho, Marujo e Junior

Tarde: Depois do maravilhoso almoço, vimos o jogo do Brasil.
Noite: Fomos para o centro da cidade, perto da beira do rio, onde ficam os bares, pois a cidade estava em festa pela vitória do Brasil. Januária  é como uma cidade de praia: muita bicicleta, areia e... vááários carros de sons competindo música. Muita gente na rua, verde, amarelo, azul, rebolation. Uma confusão. Acabamos a noite comendo pizza na praça. Segundo Patricia, para quem gosta de coiss do tipo, Januária é perfeito no carnaval, apinhado de gente dançando axé e marchinhas. Vamos dormir, porque amanhã voltamos a nossa vida de natureza selvagem - pelo menos por um dia. 
a copa do mundo é nossa?!